Iniciativa leva exame de HPV para mulheres indígenas do Xingu, visando detecção precoce de câncer cervical

Uma iniciativa de saúde privada, em parceria com uma ONG, está realizando expedições na região do Xingu para oferecer exames gratuitos de DNA HPV para o rastreamento precoce de câncer de colo de útero em mulheres indígenas. O projeto utiliza a técnica de autocoleta e visa superar barreiras de acesso à saúde enfrentadas por populações isoladas, oferecendo um diagnóstico mais sensível do que o Papanicolau, embora este último ainda seja o padrão no SUS. Especialistas destacam a vulnerabilidade desse grupo e a importância de ações logísticas e culturais adaptadas para garantir o seguimento clínico dos casos positivos.

Tucupi

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Uma ação focada na saúde da mulher indígena no Parque Indígena do Xingu está promovendo a detecção precoce do câncer de colo de útero por meio da oferta de exames de DNA HPV gratuitos. A iniciativa, fruto de uma colaboração entre o grupo Dasa e a ONG Xingu+Catu, visa abordar a conhecida vulnerabilidade dessa população frente à doença, causada pela infecção persistente do Papilomavírus Humano (HPV). As atividades consistem em expedições de saúde meticulosamente planejadas, alinhadas aos cronogramas do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), mobilizando equipes especializadas — incluindo ginecologistas e profissionais de logística — para levar a tecnologia de diagnóstico diretamente às aldeias. Este esforço logístico e clínico busca mitigar as dificuldades históricas de acesso enfrentadas por comunidades geograficamente isoladas, um desafio recorrente na atenção à saúde indígena, conforme destacado por especialistas.

O método empregado é o exame de DNA HPV com autocoleta, uma alternativa considerada mais sensível e menos invasiva para rastreamento em contextos de difícil acesso, segundo os organizadores. Durante as expedições, as equipes não apenas realizam a coleta mediante consentimento informado, mas também dedicam tempo substancial à educação sanitária, explicando o risco do HPV e a importância da prevenção. Segundo Natasha Camargo, gerente de Novos Produtos e Serviços da Dasa, o processo é mediado culturalmente, contando com o suporte fundamental de agentes indígenas de saúde e profissionais locais para garantir a compreensão e aceitação dos procedimentos. A continuidade do cuidado é assegurada por protocolos que preveem o uso complementar da telemedicina para o retorno de resultados e, em casos de exames alterados, o acionamento imediato de seguimento clínico, incluindo exames complementares como a colposcopia, mantendo a responsabilidade da iniciativa pela navegação da paciente no sistema de saúde.

O câncer cervical representa um desafio significativo no Brasil, com estimativas do Inca prevendo mais de 17 mil novos casos anuais no triênio 2023-2025. Para as mulheres indígenas, a situação é potencialmente mais grave. Um estudo da Unicamp, analisando dados de Papanicolau de mais de 30 etnias, indicou uma maior vulnerabilidade nessa população, embora a magnitude exata do problema permaneça subdimensionada devido à falta de dados estruturados. O cirurgião oncológico Higino Felipe Figueiredo, da SBCO Amazonas, reforça que a acessibilidade é o cerne da questão, visto o isolamento geográfico de muitos povos. Ele aponta que a tecnologia de autocoleta de HPV, embora ainda não substitua o Papanicolau no rastreamento geral do SUS, surge como uma ferramenta crucial para detectar precocemente a infecção por HPV de alto risco em populações remotas, permitindo o encaminhamento para biópsias e tratamento de lesões precursoras, prevenindo sua evolução para câncer invasivo. A iniciativa no Xingu, portanto, não é apenas uma campanha de saúde, mas uma tentativa de estabelecer um modelo de rastreamento adaptado às realidades logísticas e culturais amazônicas. (Fonte: CNN Brasil, https://www.cnnbrasil.com.br/saude/iniciativa-leva-exame-de-hpv-para-mulheres-indigenas-do-xingu/)

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