Apenas 2,54% das cidades brasileiras caminham para a universalização do saneamento, revela ranking da ABES

Um ranking da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES) sobre saneamento básico indica que apenas 63 municípios (2,54% do total analisado) estão no estágio mais avançado de universalização. O estudo aponta uma grande disparidade regional, com Sul e Sudeste liderando os avanços, enquanto Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram a maioria das cidades em estágios iniciais. Especialistas reforçam a ligação direta entre saneamento, especialmente água tratada, e saúde pública, defendendo a necessidade de planejamento regional gerido pelos estados.

Tucupi

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Apenas 2,54% das cidades brasileiras caminham para a universalização do saneamento, revela ranking da ABES
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Destaque
Avanços significativos na universalização do saneamento básico no Brasil permanecem lentos e insuficientes para a vasta maioria dos municípios, de acordo com a mais recente divulgação do Ranking da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES). A análise revela um cenário preocupante: apenas 63 cidades, o que corresponde a meros 2,54% do total avaliado, alcançaram o estágio mais elevado de compromisso com a oferta completa de serviços de água tratada e esgoto. O levantamento abrangeu 2.483 municípios, responsáveis por aproximadamente 80% da população nacional, e utiliza indicadores oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Sinisa) para traçar o panorama da infraestrutura hídrica. O dado mais recorrente aponta que 74,22% das cidades se encontram na categoria intermediária denominada 'Empenho para a universalização', indicando que, embora haja esforço em andamento, a plena concretização das metas estabelecidas pelo marco legal do setor ainda está distante. Esta lentidão tem implicações diretas na saúde pública e no desenvolvimento socioeconômico, tornando o saneamento uma prioridade urgente, conforme noticiado pela CNN Brasil. As desigualdades geográficas saltam aos olhos na classificação da ABES, refletindo investimentos históricos e desafios logísticos desiguais ao longo do território nacional. As regiões Sul e Sudeste historicamente se posicionam na liderança, concentrando a maior proporção de municípios nas faixas mais avançadas do ranking. Em contraste, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste concentram o maior contingente de cidades ainda presas nas fases iniciais do processo de universalização. No que concerne às capitais, o panorama é igualmente heterogêneo: apenas Curitiba atingiu o topo da classificação, enquanto outras capitais de grande porte, como São Paulo e Salvador, permaneceram no segundo patamar de 'Compromisso com a universalização'. Para estados com desafios geográficos notórios, como o Amazonas, inserido na Região Norte, a concentração de municípios em estágios iniciais reforça a necessidade de políticas públicas direcionadas e investimentos maciços para superar a complexidade logística e ambiental da Amazônia. Além do déficit de infraestrutura, o estudo enfatiza a relação intrínseca entre o acesso a serviços básicos de qualidade e a redução de morbidades associadas a doenças de veiculação hídrica. Especialistas apontam que a disponibilidade de água tratada é um fator crucial na prevenção de enfermidades como hepatites e gastrenterocolites. Contudo, a gestão eficaz do saneamento exige uma visão estratégica que transcende o limite municipal. Conforme destacado por sanitaristas citados na cobertura, o planejamento da universalização deve ser realizado em escala regional, pois a efetivação das metas depende de uma articulação mais robusta com os governos estaduais, que detêm a responsabilidade primária pela implementação e fiscalização de serviços. Para estados como o Amazonas, com vastas áreas remotas, a coordenação regional é vital para desenvolver soluções de longo prazo que sejam economicamente viáveis e adaptadas à realidade local, conforme detalhado pela CNN Brasil.

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