Rondônia, líder em desmate proporcional, recebeu um terço das máquinas pesadas da Amazônia pagas com emendas parlamentares

Rondônia, estado que lidera o desmatamento proporcional na Amazônia Legal, recebeu 507 máquinas pesadas (mais de 30% do total) adquiridas com emendas parlamentares destinadas à região desde 2015, totalizando R$ 319 milhões em verbas públicas. Especialistas ambientais e autoridades do Ibama alertam que equipamentos como tratores de esteira são cruciais para desmatamento e aberturas de estradas ilegais. O levantamento aponta um padrão de alocação de recursos federais que beneficia desproporcionalmente estados com alto índice de degradação florestal.

Tucupi

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Rondônia, líder em desmate proporcional, recebeu um terço das máquinas pesadas da Amazônia pagas com emendas parlamentares
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Destaque
Um levantamento detalhado conduzido pela Folha de S.Paulo em colaboração com a Rainforest Investigations Network revelou que o estado de Rondônia, que detém a maior taxa de desmatamento proporcional dentro da Amazônia Legal desde o ano de 2015, foi o principal receptor de máquinas pesadas financiadas por emendas parlamentares destinadas à região. Conforme a apuração, Rondônia recebeu um total de 507 equipamentos, o que representa mais de um terço da distribuição total na Amazônia Legal. O custo público associado a essa aquisição maciça de maquinário, que inclui tratores de esteira e escavadeiras, atingiu a cifra de R$ 319 milhões em verbas federais. Essa concentração de recursos em equipamentos pesados suscita sérias preocupações entre técnicos ambientais, que questionam o uso efetivo desses instrumentos, dado o histórico notório de exploração da vegetação nativa e a abertura de vias não autorizadas em áreas de floresta. A pesquisa abrangeu um montante de mais de R$ 900 milhões em emendas parlamentares direcionadas à compra de, pelo menos, 1.649 unidades de máquinas em 467 municípios da Amazônia Legal. O impacto dessa política de financiamento na dinâmica ambiental amazônica é considerado alarmante por especialistas, especialmente porque Rondônia registrou uma perda de 5,1% de sua área total em vegetação suprimida durante o período analisado, segundo dados consolidados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Embora máquinas pesadas possam ter finalidades legítimas em obras de infraestrutura, o trator de esteira é identificado por órgãos de fiscalização, como o Ibama, como um equipamento fundamental para a supressão da vegetação e a criação de estradas clandestinas, sendo frequentemente associado a crimes ambientais. A investigação aprofundada demonstrou que uma parcela significativa das emendas que abasteceram Rondônia com esse tipo de equipamento foi canalizada através do programa Calha Norte. Embora este programa tenha uma origem militar e foco em segurança estratégica, ele se tornou um vetor importante para o direcionamento de verbas legislativas, sendo responsável pela distribuição de mais da metade das 755 máquinas entregues pelo programa em toda a Amazônia Legal. Embora a análise aponte Rondônia como o maior beneficiário, seguido por estados como Tocantins e Mato Grosso, a notícia contextualiza um padrão político-financeiro que afeta toda a área da Amazônia Legal, incluindo o estado do Amazonas, pelo envolvimento de recursos federais de emendas parlamentares. O relatório ressalta a crescente influência do Legislativo na alocação orçamentária desde 2015, quando as emendas individuais se tornaram de execução obrigatória. O foco específico na capital rondoniense, Porto Velho, que recebeu 329 das máquinas em questão, e seu registro entre os municípios com maior índice de desmatamento, reforça a correlação apontada pela reportagem entre o financiamento público de equipamentos pesados e o avanço da degradação florestal na região, conforme detalhado no artigo original de 29 de dezembro de 2025, acessado em https://www1.folha.uol.com.br/poder/2025/12/lider-em-desmate-ro-recebe-1-a-cada-3-maquinas-pesadas-pagas-com-emendas-na-amazonia.shtml.

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