Juíza de Mato Grosso diz "que se dane a OAB" e expulsa advogados de júri, gerando crise institucional

Uma juíza do Mato Grosso, Mônica Cataria Perri Siqueira, gerou grande controvérsia ao expulsar advogados da OAB durante um julgamento no Tribunal do Júri em Cuiabá, proferindo a frase "que se dane a OAB". O incidente ocorreu após reclamações da defesa e alegações de que os advogados estavam gravando os jurados. O episódio levou à dissolução do Conselho de Sentença e gerou forte reação da OAB, que viu suas prerrogativas violadas. Embora o TJMT e a Associação Mato-grossense de Magistrados tenham tentado contextualizar a fala da juíza, a OAB considerou o ato inaceitável e uma afronta à Constituição.

Tucupi

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Juíza de Mato Grosso diz "que se dane a OAB" e expulsa advogados de júri, gerando crise institucional
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Um grave incidente abalou o judiciário de Mato Grosso e mobilizou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) após a juíza da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, Mônica Cataria Perri Siqueira, proferir a frase chocante de que "se dane a OAB" durante uma sessão do Tribunal do Júri. O episódio, ocorrido durante o julgamento de um policial civil, escalou após a defesa apresentar reclamações, resultando na ordem da magistrada para que a Polícia Militar retirasse do plenário representantes da Comissão de Prerrogativas da OAB local. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) posteriormente justificou a ação alegando que os advogados estavam infringindo resoluções do Conselho Nacional de Justiça ao gravar os jurados, uma alegação confrontada por vídeos que circularam amplamente nas redes sociais, mostrando a tensão crescente no tribunal e o desafio direto da juíza aos advogados presentes. Esta intervenção resultou na dissolução do Conselho de Sentença originalmente formado, indicando a gravidade da quebra de decoro percebida por ambas as partes envolvidas no procedimento legal. O confronto atingiu seu ápice quando, diante da insistência dos advogados em permanecerem no local para garantir a legalidade do processo, a juíza Siqueira reiterou sua ordem de retirada, declarando enfaticamente: “Que se dane, vocês estão aí só levantando a OAB. Mantenha o respeito. Isso é um absurdo que está acontecendo aqui. Pode retirar os três”, conforme noticiado pelo Jornal de Brasília. A reação da defesa foi imediata e veemente, com um dos advogados chegando a desafiar a autoridade da magistrada: “Manda prender então, Excelência. Manda prender os advogados!”, entregando sua liberdade em protesto contra o que considerou um excesso de autoridade e violação dos limites processuais estabelecidos para a atuação da advocacia em plenário. O julgamento em questão envolvia um investigador da Polícia Civil acusado de homicídio contra um policial militar, adicionando uma camada de alta sensibilidade ao ambiente já carregado de expectativas e disputas de poder. As consequências do tumulto foram significativas no âmbito institucional. Na terça-feira subsequente ao incidente inicial, a juíza optou por dissolver o Conselho de Sentença original, citando a possibilidade de influência indevida sobre os jurados após a discussão acalorada, adiando a nova formação do corpo para uma data distante, maio de 2026. Enquanto a Associação Mato-grossense de Magistrados tentou justificar a conduta da juíza, alegando que suas falas foram descontextualizadas e visavam unicamente manter o decoro processual, o procurador nacional de Defesa das Prerrogativas da OAB classificou o episódio como “grave, inaceitável e afronta diretamente a Constituição”, evidenciando a profunda crise institucional gerada pela conduta da magistrada no Fórum de Cuiabá. A Ordem exige providências firmes para assegurar que as prerrogativas profissionais sejam respeitadas e que a independência da advocacia seja mantida em face de qualquer arbitrariedade judicial. Fonte: Jornal de Brasília (https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/oab-que-se-dane-diz-juiza-que-expulsou-advogados-de-sessao/).

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