Marca própria Lobo completa 10 anos e consolida modelo de sucesso no Paysandu, gerando R$ 11 milhões em receitas diretas ao clube
A marca própria do Paysandu Sport Club, a Lobo, celebrou dez anos de existência, sendo aclamada como um caso de sucesso financeiro no futebol brasileiro. A Lobo se estabeleceu como a principal fonte de receita comercial do clube, arrecadando mais de R$ 11 milhões entre 2022 e 2024. A consolidação veio após uma reestruturação gerencial em 2020, que implementou um modelo de royalties, transferindo riscos operacionais para parceiros e garantindo previsibilidade financeira ao Paysandu.
Tucupi

Destaque
A Lobo, marca exclusiva de material esportivo do Paysandu Sport Club, agremiação sediada em Belém, no Pará, atingiu a significativa marca de dez anos de operação, consolidando-se como um dos modelos de gestão comercial mais eficientes no panorama do futebol nacional. O sucesso desta empreitada se reflete diretamente na saúde financeira do clube paraense, que transformou a Lobo em sua principal fonte de receita comercial no período recente. Dados financeiros divulgados apontam que a marca própria injetou mais de R$ 11 milhões em benefícios diretos ao Paysandu entre os anos de 2022 e 2024. Este desempenho robusto é crucial, pois visa mitigar a tradicional dependência financeira do clube em relação aos resultados obtidos exclusivamente dentro das quatro linhas do campo, oferecendo uma previsibilidade de caixa que é invejável para muitos concorrentes regionais e nacionais no cenário esportivo atual.
O projeto inicial, concebido sob a gestão do então presidente Alberto Maia, tinha como objetivo primordial fortalecer a identidade da instituição, maximizar o faturamento e estabelecer um elo mais sólido e rentável com a apaixonada torcida bicolor. Desde o lançamento oficial em fevereiro de 2016, a adesão popular foi imediata e avassaladora, com os valores arrecadados nos primeiros meses superando o total anual que o clube recebia com sua antiga fornecedora de material. A autonomia criativa permitiu que a Lobo desenvolvesse coleções que se conectavam profundamente à cultura e aos símbolos históricos do Paysandu, resultando em eventos de lançamento que mobilizavam milhares de torcedores nas ruas de Belém. Além disso, houve uma evolução técnica notável nos produtos, incorporando tecnologias têxteis e seguindo padrões industriais que equipararam a produção do clube a de grandes potências, com melhorias substanciais em modelagem e processos produtivos gerais.
Contudo, o crescimento exponencial registrado entre 2017 e 2019 trouxe à tona os desafios inerentes à complexidade de gerir um negócio de varejo em larga escala dentro de uma instituição esportiva, incluindo dificuldades com gerenciamento de estoque, logística de distribuição e custos operacionais fixos elevados. Em uma manobra estratégica para sanar esses passivos e reduzir o capital imobilizado, uma reestruturação abrangente foi implementada em 2019, culminando na profissionalização completa da gestão da marca a partir de 2020, já sob a administração do presidente Ricardo Gluck Paul. O grande divisor de águas foi a separação operacional: o Paysandu se desvinculou dos riscos de produção, dos custos de folha de pagamento e das obrigações tributárias relacionadas à operação de varejo, passando a receber sua contrapartida integral na forma de royalties fixos. Este novo sistema, que integra licenciamento e canais B2B/B2C com um modelo de franquias padronizado, não apenas triplicou o número de pontos de venda, mas garantiu que a receita do clube viesse desvinculada de suas obrigações operacionais diretas, um diferencial estratégico frequentemente destacado por analistas especializados no mercado de marketing esportivo brasileiro.
O impacto financeiro dessa transição estrutural é inegável no balanço atual. No biênio 2022-2024, os R$ 11,21 milhões gerados diretamente pela Lobo superaram em quase 40% a injeção financeira do segundo maior parceiro comercial do Paysandu no mesmo intervalo temporal. Para se ter uma dimensão do volume de negócios, somente em 2024, as franquias da marca faturaram impressionantes R$ 22 milhões, mantendo uma margem líquida próxima dos 8% para os operadores licenciados. A consolidação da Lobo como um ativo estratégico demonstra de forma clara como a aplicação de boa governança e profissionalização em departamentos não-esportivos pode transformar uma marca de clube em uma fonte de receita recorrente e estável, fortalecendo a sustentabilidade financeira do Paysandu, que hoje utiliza este case de sucesso como referência para outros clubes brasileiros em busca de estabilidade em um mercado cada vez mais volátil e competitivo. (Fonte: https://www.lance.com.br/lancebiz/lobo-completa-10-anos-e-consolida-modelo-de-marca-propria-no-paysandu.html)
Comentários
Deixe seu comentário
Carregando comentários...
