PF, BNDES e Febraban Selam Acordo de Cinco Anos Contra Lavagem de Dinheiro e Crime Organizado no Sistema Financeiro
A Polícia Federal (PF), o BNDES e a Febraban formalizaram um acordo de cooperação de cinco anos para intensificar o monitoramento e a prevenção contra sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro orquestrados pelo crime organizado. A medida visa coibir a infiltração no sistema financeiro, especialmente após a revelação da atuação complexa do PCC na Operação Carbono Oculto, focando também em novas modalidades como o uso de fintechs não regulamentadas.
Tucupi

Destaque
A Polícia Federal (PF), em uma articulação estratégica com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), formalizou um abrangente acordo de cooperação que vigorará por sessenta meses. O objetivo principal deste pacto é estabelecer mecanismos tecnológicos e processos mais ágeis para monitorar e impedir as elaboradas operações de lavagem de dinheiro conduzidas por grupos de crime organizado que tentam se infiltrar no tecido do sistema financeiro nacional. Esta iniciativa crucial surge como uma resposta direta às descobertas feitas durante a Operação Carbono Oculto, que expôs a notável profundidade da atuação de facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), que demonstraram capacidade de controlar operações complexas, incluindo o uso de entidades financeiras e fintechs como plataformas para a movimentação de vastas somas de capital ilícito.
Durante a cerimônia de assinatura, realizada nas dependências da sede da Polícia Federal em São Paulo, autoridades de alto escalão enfatizaram a imperiosa necessidade de modernizar as táticas de enfrentamento ao crime financeiro. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, trouxeram à tona a evolução do perfil criminoso, que, segundo eles, tem migrado de táticas de violência física para um impacto sistêmico maior por meio do uso de ferramentas digitais avançadas e, em cenários preocupantes, pela cooptação de agentes internos. Mercadante destacou especificamente a proliferação de fintechs e o surgimento de mecanismos facilitadores, como as chamadas "contas balcão", onde estruturas societárias minimalistas, muitas vezes compostas apenas por CNPJ e dois CPFs, são utilizadas para mascarar transações financeiras de alta complexidade e natureza ilegal. O presidente do BNDES foi enfático ao sugerir um cronograma sumário para a regularização de todas as fintechs, indicando que aquelas que não se adequarem aos padrões de compliance seriam sumariamente fechadas, sinalizando uma postura fiscalizatória muito mais incisiva.
Isaac Sidney, presidente da Febraban, reforçou o discurso, afirmando que a sinergia entre as instituições financeiras privadas, a PF e o BNDES é um requisito fundamental para garantir a solidez econômica e a estabilidade do país contra ameaças internas. Sidney ressaltou que instituições financeiras que demonstrarem falta de alinhamento com os novos e rigorosos padrões de integridade e combate à delinquência devem ser efetivamente excluídas do mercado financeiro, dada a intrínseca ligação que o crime organizado já estabeleceu com os mecanismos da economia brasileira. Por outro lado, a Polícia Federal adotou um posicionamento mais técnico, focando no combate implacável às modalidades criminosas em vez de citar nominalmente organizações, embora as ações sejam claramente direcionadas a elas. Andrei Rodrigues mencionou a expectativa de ampliar este escopo de cooperação em breve para o nível internacional, citando um futuro acordo que envolverá a Interpol, organização que recentemente passou a ser liderada por um delegado brasileiro.
Um componente operacional chave deste novo acordo é a criação de um observatório dedicado a medir o impacto do crime financeiro, uma proposta articulada pelo BNDES. Este observatório terá a missão essencial de quantificar, monitorar e diagnosticar precisamente os prejuízos que a lavagem de dinheiro impõe à nação. Conforme argumentado por Mercadante, os crimes financeiros impactam diretamente as taxas de desenvolvimento nacional, a atração de investimento estrangeiro e a geração de empregos formais, elevando o combate a essas práticas à categoria de prioridade econômica nacional. A Febraban já havia implementado medidas de autorregulação imediatas após o impacto da Operação Carbono Oculto, mas o novo acordo institucionaliza e expande essas salvaguardas para enfrentar novas brechas regulatórias que surgem com a rápida evolução do setor de tecnologia financeira. Todos esses esforços demonstram um endurecimento das barreiras de entrada e operação para o capital ilícito no Brasil, visando proteger a integridade do sistema bancário, conforme reportado por https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/brasil/pf-fecha-acordo-com-bndes-e-febraban-para-combater-crime-organizado-na-faria-lima/.
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