Decadência do Patrimônio em Manaus: A Polêmica sobre o Futuro do Palácio Rio Branco

O artigo discute o abandono e a decadência do patrimônio histórico de Manaus, focando no Palácio Rio Branco. O autor lamenta o descaso com edifícios emblemáticos da Belle Époque manauara e questiona o destino do Palácio Rio Branco, que, após ser ocupado pela Assembleia Legislativa do Amazonas, está sendo concedido a uma ONG para abrigar uma loja de móveis e cursos, em detrimento de propostas como a criação de um Museu de Geociências, levantando um debate sobre a priorização da preservação cultural na cidade.

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Decadência do Patrimônio em Manaus: A Polêmica sobre o Futuro do Palácio Rio Branco
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A cidade de Manaus, outrora palco de uma Belle Époque faustosa, testemunha atualmente a deterioração de seu valioso patrimônio histórico e arquitetônico, um cenário que exige um debate urgente sobre a gestão pública e a identidade local. O artigo, assinado por Cristóvam Luiz, destaca que a riqueza cultural da cidade, evidenciada por obras como o Teatro Amazonas e o Mercado Municipal (projetado por Gustave Eiffel), está sendo esquecida em meio ao descaso. A análise se aprofunda na história do Palácio Rio Branco, um ícone arquitetônico construído entre 1905 e 1938, que já serviu como sede da antiga Chefatura de Polícia e, posteriormente, abrigou a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) por 34 anos, preservando seus elementos históricos até sua mudança em 2006. Este histórico de ocupação e preservação temporária contrasta drasticamente com o estado atual de abandono relatado por jornalistas que constataram a deterioração e o saque do anexo do prédio, sinalizando uma falha na administração pública em zelar por esses bens inestimáveis. O autor critica veementemente a falta de políticas públicas eficazes de preservação que perpetuam o risco à memória coletiva amazonense. Luiz menciona ter defendido publicamente a restauração do Palácio Rio Branco para sediar um Museu de Geociências, uma proposta que, segundo ele, foi bem recebida por uma gama de profissionais locais, incluindo arquitetos, geólogos e historiadores, visando valorizar as ciências naturais da Amazônia dentro de um contexto histórico. Contudo, essa iniciativa cultural parece ter sido ofuscada por uma decisão administrativa menos alinhada com a missão de preservação histórica. A notícia mais recente aponta que o Palácio estaria sendo concedido a uma ONG, o Instituto Doimo, com o propósito de transformá-lo em um espaço para uma loja de móveis e para a realização de cursos de empreendedorismo, uma destinação que levanta sérias dúvidas sobre a prioridade dada ao legado cultural da capital amazonense. Este impasse coloca em xeque as prioridades de desenvolvimento urbano e cultural de Manaus. A questão levantada pelo artigo é direta: o que deve prevalecer na preservação de um marco histórico como o Palácio Rio Branco – um espaço comercial e de capacitação empresarial ou um equipamento cultural e científico, como um museu dedicado à Amazônia? A persistente decadência desses monumentos reflete uma desconexão entre o passado glorioso da cidade, impulsionado pela borracha, e as ações contemporâneas de seus gestores. É imperativo que haja uma resposta célere e uma reavaliação das decisões de governabilidade para evitar que mais um pedaço da rica história de Manaus seja perdido ou resignificado de maneira superficial, em detrimento de sua função como guardião da memória regional. (Fonte: Em Tempo - https://emtempo.com.br/440736/cultura/patrimonio-em-decadencia-por-que-permitimos-isso/)

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