Vale a pena comprar geladeira com selo A+++? Fizemos as contas e o impacto é maior onde a luz é mais cara, como no Amazonas
O artigo analisa se vale a pena investir em geladeiras com selo de eficiência energética superior ao A oficial do Inmetro (frequentemente rotulado como 'A+++'), focando na economia a longo prazo, especialmente em regiões com tarifa de energia elevada, como o Amazonas.
Tucupi

Destaque
A crescente pressão sobre as contas de energia elétrica no Brasil tem levado consumidores a reavaliar a eficiência energética na aquisição de eletrodomésticos essenciais, como as geladeiras. Uma análise recente do Canaltech investigou o valor real de modelos classificados pelo mercado com o selo "A+++", indicando performance superior à máxima oficial (letra A) estabelecida pelo Inmetro. Embora este selo não seja oficialmente reconhecido pelo órgão regulador, ele geralmente sinaliza a presença de tecnologias avançadas, como compressores do tipo inverter e melhorias no isolamento térmico, que culminam em um consumo mensal menor em quilowatt-hora (kWh). Este diferencial de consumo, embora pareça insignificante no cálculo mensal imediato, acumula-se significativamente ao longo da vida útil do aparelho, que frequentemente ultrapassa uma década, justificando o investimento inicial mais alto para consumidores preocupados com o custo-benefício a longo prazo e com o impacto ambiental de seus hábitos de consumo.
O estudo de caso comparou modelos com pequenas variações de consumo, como 34 kWh/mês versus 36 kWh/mês. A diferença de apenas 2 kWh mensais pode não ser expressiva em estados com tarifas elétricas mais baixas, como São Paulo, resultando em economias modestas. Contudo, em regiões onde a matriz energética impõe custos mais altos para o consumidor final, como é o caso do Amazonas e de outras áreas com tarifas elevadas, essa economia mensal pode ser notavelmente maior, chegando a quase R$ 2,00, dependendo do custo exato do kWh local. Multiplicando essa diferença por dez anos de uso esperado para uma geladeira, a economia acumulada pode superar a marca de R$ 200, além do benefício ambiental inerente à menor demanda energética. Este ponto é crucial, especialmente no contexto amazônico, que enfrenta discussões constantes sobre sustentabilidade e uso racional de recursos energéticos provenientes de hidrelétricas e outras fontes regionais.
A decisão de investir em um modelo mais eficiente, portanto, depende da relação custo-benefício e da projeção de tempo de uso do aparelho. Para o consumidor amazonense, onde o custo da energia é notavelmente superior, a balança pende mais rapidamente a favor dos modelos mais tecnológicos, visto que o retorno sobre o investimento inicial, embora gradual, é garantido pela continuidade da economia na fatura mensal. O selo "A+++", enquanto uma métrica de mercado não padronizada pelo Inmetro, atua como um indicador robusto de que o produto foi projetado para mitigar o impacto financeiro contínuo, o que é uma consideração institucionalmente relevante em uma região que precisa equilibrar o desenvolvimento econômico com a gestão rigorosa de custos operacionais e ambientais. Conclui-se que, para quem planeja a longevidade do eletrodoméstico e reside em área de tarifa elevada, como no Amazonas, a escolha pela máxima eficiência energética se estabelece como uma decisão financeira estratégica e de responsabilidade.
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