Paralelo entre a Venezuela e o Amazonas: A Imposição de Decisões à Distância

Um artigo de opinião de Raimundo de Holanda estabelece um paralelo entre a intervenção externa na Venezuela e a forma como decisões tomadas em Brasília afetam o Amazonas. O autor critica a imposição de lógicas abstratas e distantes que ignoram a complexidade logística e social local, seja sob pretexto de segurança internacional ou de tutelas ambientais domésticas.

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Paralelo entre a Venezuela e o Amazonas: A Imposição de Decisões à Distância
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Um artigo de opinião assinado pelo jornalista Raimundo de Holanda, veiculado no Portal da Holanda, estabelece uma crítica contundente à imposição de decisões externas, traçando uma analogia entre a recente movimentação internacional contra a Venezuela e a dinâmica administrativa e política que historicamente molda o estado do Amazonas. O articulista questiona a legitimidade de intervenções — quer sejam elas geopolíticas no cenário internacional, quer sejam administrativas no âmbito nacional — que se apoiam em retóricas de ordem, segurança ou proteção, mas que, na prática, restringem a autonomia de territórios específicos, desconsiderando a voz e a realidade palpável de seus habitantes. Este debate central foca na naturalização de uma lógica decisória tomada à distância, que falha em escutar, mediar ou se comprometer verdadeiramente com a intrincada realidade territorial em questão, resultando em políticas que não se adaptam ao contexto local, conforme noticiado em https://www.portaldoholanda.com.br/bastidores-da-politica/um-paralelo-entre-o-caso-da-venezuela-e-o-amazonas. No contexto amazônico, essa problemática se manifesta de maneira recorrente, embora em uma escala diferente da geopolítica externa. O autor aponta que o cidadão e a gestão local enfrentam há décadas intervenções que são frequentemente mascaradas sob o manto de tutela técnica, planos de preservação ambiental excessivamente rigorosos ou a aplicação de uma racionalidade administrativa que simplesmente não se harmoniza com a realidade da região. O cerne da crítica reside no profundo descolamento entre as diretrizes formuladas em gabinetes distantes, notadamente em Brasília, e as consequências práticas vividas no cotidiano. Tais decisões tendem a negligenciar aspectos vitais como o tecido social específico, as urgências econômicas imediatas e, crucialmente, a logística inerentemente desafiadora do estado, gerando impactos negativos para aqueles que tiveram participação mínima ou nula na concepção dessas normas. O jornalista Raimundo de Holanda ressalta, no entanto, que a análise não visa desqualificar a necessidade de ações cruciais, como a proteção ambiental efetiva ou o combate a atividades ilícitas que ameacem a segurança pública. O foco da coluna é a desproporção entre o discurso idealizado e a aplicação concreta dessas políticas. Quando o fundamento utilizado para justificar a intervenção se distancia da realidade tangível do chão amazônico, a ação perde sua eficácia como ferramenta de governança legítima e passa a operar como um álibi conveniente. Este álibi, segundo o colunista, pode facilmente encobrir ineficácias administrativas, omissões prolongadas do poder central ou, em um cenário mais grave, servir de base para a imposição de soluções que se revelam inadequadas ou francamente prejudiciais a longo prazo, especialmente quando projetos essenciais permanecem estagnados por falta de entendimento da realidade local. Em conclusão, o paralelo estabelecido pela coluna funciona como um chamado urgente à reflexão sobre os perigos da abstração na gestão de territórios com a complexidade da Amazônia. Se no plano internacional a abstração pode culminar em ações coercitivas, no âmbito doméstico ela se traduz em obras paralisadas ou em sentenças judiciais que aplicam fórmulas legais genéricas a contextos marcados por profundas disparidades estruturais. O texto, datado de 03 de janeiro de 2026, conclama a classe política e administrativa a reconhecer a singularidade da Amazônia, a fim de evitar que a retórica de boas intenções se materialize em paralisia regional ou em intervenções que, paradoxalmente, minam o desenvolvimento sustentável que deveriam promover.

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