Gastos com aluguel de veículos, barcos e aeronaves por deputados federais somam R$ 279 milhões em sete anos
O levantamento aponta que os gastos dos deputados federais com aluguel de carros, barcos e aeronaves, custeados pela Cota Parlamentar, atingiram no mínimo R$ 279 milhões entre 2019 e 2025. Houve um aumento real de 18% nos custos de locação entre 2019 e 2024. Deputados do Norte e Nordeste estão entre os maiores gastadores, com destaque para o uso de embarcações na Amazônia. O tema ganhou atenção devido a investigações da Polícia Federal sobre supostas irregularidades nos repasses para empresas de locação envolvendo os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy.
Tucupi

Destaque
A despesa acumulada da Câmara dos Deputados com a locação de veículos, embarcações e aeronaves por seus parlamentares alcançou um montante mínimo de R$ 279 milhões no período compreendido entre 2019 e 2025, conforme revelam dados obtidos sobre o uso da Cota Parlamentar. Este valor representa apenas os custos lançados até o momento, indicando que o total final para o período, incluindo despesas ainda a serem processadas do ano corrente, será superior. Um dado relevante apontado pela análise é o crescimento real desses dispêndios: em termos de poder de compra, os custos com aluguéis subiram cerca de 18% entre o ano de 2019 e 2024, mesmo descontada a inflação acumulada no período. A Cota, desenhada para custear a atividade legislativa, tem sido amplamente utilizada para garantir a mobilidade dos congressistas, refletindo as grandes distâncias e as complexidades logísticas do território nacional, especialmente nas regiões com infraestrutura de transporte precária.
O cruzamento dos dados de despesas com o mapa geográfico do país demonstra que os maiores utilizadores desses recursos para locação concentram-se em estados do Norte e Nordeste, regiões onde a dependência do transporte fluvial e aéreo é estrutural para o exercício do mandato. O deputado Éder Mauro (PL-PA) emerge como um dos maiores financiadores de locações, com R$ 883,5 mil lançados, sendo a maior parte destinada ao fretamento de barcos. A assessoria do parlamentar justifica esse alto custo logístico pela necessidade imperativa de acessar os mais de 70 municípios de seu estado que são acessíveis, majoritariamente, por vias navegáveis, sublinhando como as particularidades geográficas impactam diretamente o orçamento parlamentar.
Adicionalmente, o debate sobre a transparência e a legalidade desses gastos ganhou maior projeção recentemente, impulsionado por investigações da Polícia Federal. A PF deflagrou operações que miram supostas irregularidades em repasses feitos a empresas de locação, com foco nos parlamentares Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ). As apurações indicam indícios de que uma empresa específica teria continuado a receber pagamentos significativos da cota, mesmo após seu encerramento formal ou dissolução irregular. A Procuradoria-Geral da República (PGR) acompanha o caso, que sugere a possibilidade de conluio entre assessores dos deputados para manter um fluxo de caixa mascarado, levantando sérias questões sobre os mecanismos de controle interno da Câmara sobre o uso de verbas federais.
Em resposta às acusações, os deputados envolvidos negaram veementemente as irregularidades. Sóstenes Cavalcante classificou a investigação como uma manobra política, enquanto Carlos Jordy defendeu a lisura dos contratos, afirmando que a empresa em questão é a mesma que atende às suas necessidades de transporte há anos. Independentemente das alegações de defesa, a situação renova a pressão pública por maior rigor na fiscalização da Cota Parlamentar, expondo a tensão entre a necessidade de locomoção em um país de dimensões continentais e a responsabilidade fiscal no emprego de recursos públicos pelos legisladores federais, conforme noticiado pela Folha de S.Paulo.
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