Apreensão de Ouro Ilegal Dispara em 2025, com Roraima Confirmada como Principal Rota de Escoamento da Amazônia
O Brasil apreendeu 447,09 kg de ouro ilegal em 2025. Roraima concentrou quase metade desse total (213,69 kg), indicando que o estado se tornou rota crucial para o escoamento de minério extraído ilegalmente em outras partes da Amazônia, aproveitando suas fronteiras. O Amazonas também figura entre os estados com maiores apreensões.
Tucupi

Destaque
As operações federais de combate ao garimpo ilegal no Brasil registraram um aumento expressivo na apreensão de ouro não regulamentado em 2025, totalizando 447,09 kg até o início de dezembro, conforme dados consolidados divulgados pela Polícia Federal (PF). Um dado alarmante nesse levantamento é a concentração das interceptações no estado de Roraima, que sozinho responde por 213,69 kg do total nacional, o que representa quase 48% do volume apreendido em todo o país. Esta disparidade geográfica sugere que Roraima está se estabelecendo como um ponto estratégico de transbordo para o minério extraído ilegalmente em outras regiões da Amazônia Legal. A estratégia dos criminosos é utilizar o estado para o escoamento internacional, aproveitando as fronteiras com a Venezuela e a Guiana, onde a legislação sobre a comercialização de ouro pode ser mais branda ou permissiva ao material ilícito. O crescimento registrado no volume apreendido é notavelmente superior ao total consolidado em todo o ano de 2024, sendo creditado tanto ao reforço nas fiscalizações das rotas terrestres quanto à mudança regulatória que extinguiu a presunção de boa-fé nas transações de ouro, exigindo maior rastreabilidade do metal.
O efeito das ações de combate ao garimpo se estende por toda a Amazônia, demonstrando a dimensão transfronteiriça e interestadual do crime organizado. O estado do Amazonas, por exemplo, registrou a segunda maior apreensão estadual, com 73,71 kg do metal ilegal retido pelas autoridades. Delegados da PF em Roraima têm confirmado a suspeita de que grande parte do ouro interceptado no estado não tem origem local, mas sim provém de outras zonas de garimpo ilegal amazônico. Esse material é transportado por rotas terrestres estratégicas, como as BR-174 e BR-401, muitas vezes com os transportadores disfarçados em viagens comuns para tentar evadir a vigilância das forças de segurança. Essa complexa articulação logística, que envolve modais aéreo, fluvial e terrestre, indica um aprimoramento das redes criminosas que procuram desviar a atenção das operações mais intensas concentradas dentro de terras indígenas e áreas de mineração primária.
A alteração recente no marco regulatório, reforçada pela decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2023 que suspendeu a presunção de boa-fé, em conjunto com a coordenação das ações federais, tem forçado os esquemas ilícitos a expor mais suas operações, resultando diretamente no aumento dos números de apreensão em 2025. Analistas de segurança pública e sociólogos destacam que essa rota de escoamento via Roraima espelha uma estrutura histórica na região, na qual grupos organizados controlam toda a cadeia produtiva ilegal, da extração ao repasse final em países vizinhos. Uma vez em território guianense ou venezuelano, o ouro é misturado ao material legalizado, facilitando sua entrada no mercado internacional. O valor total das apreensões nacionais em 2025 já ultrapassa os R$ 348 milhões, segundo estimativas. A análise forense do material apreendido, realizada pelo projeto Ouro Alvo da PF em Brasília, será crucial para mapear a origem exata do metal e fornecer subsídios para futuras operações direcionadas ao financiamento do garimpo ilegal em toda a Amazônia Legal, impactando diretamente os interesses econômicos e ambientais dos estados amazônicos. (Notícia baseada em informações publicadas originalmente em https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2025/12/22/ouro-ilegal-apreendido-brasil-2025-roraima.ghtml)
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