Sacerdote denuncia falta de apoio e ameaça ação criminal contra Prefeito David Almeida e governador por suposto racismo religioso
O coordenador da Aratrama, Alberto Jorge, anunciou que entrará com uma denúncia criminal contra o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus, incluindo o prefeito David Almeida, alegando racismo religioso e tratamento desigual por falta de apoio ao 15º Festival Afro-Amazônico de Yemanjá, em comparação com eventos cristãos. A organização já moveu uma ação civil no MPF sem sucesso e acusa a gestão estadual e municipal de ter um viés político de extrema-direita e neopentecostal.
Tucupi

Destaque
O coordenador-geral da Articulação Amazônica dos Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana (Aratrama), Alberto Jorge, ameaça escalar a disputa judicial contra o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus, formalizando uma denúncia criminal por racismo religioso e violação da igualdade de tratamento. A insatisfação reside na alegada falta de apoio institucional ao 15º Festival Afro-Amazônico de Yemanjá, contrastando com o suporte dado a eventos de matriz cristã na capital amazonense. Jorge declarou publicamente que, diante da falta de respostas e da urgência do tempo, a via criminal junto ao Ministério Público Federal (MPF) se tornou a única alternativa restante para garantir o direito à cultura e à equidade no tratamento dispensado às manifestações religiosas de matriz africana. Esta postura indica um agravamento nas tensões entre os representantes das comunidades tradicionais e os executivos municipal e estadual, que estão sob a mira de acusações graves de perseguição religiosa.
Alberto Jorge especificou que a denúncia criminal deverá ser movida contra autoridades de alto escalão, citando nominalmente o prefeito de Manaus, David Almeida, o governador Wilson Lima, o secretário estadual de Cultura Caio André e o presidente da Manauscult, Jender Lobato. O líder religioso argumenta que a atual administração estadual e municipal reflete um alinhamento político com setores de extrema-direita e igrejas neopentecostais, o que, segundo ele, resulta na invisibilização proposital das celebrações de matriz africana para obter ganhos eleitorais junto ao segmento evangélico. O relato aponta que ofícios enviados desde abril sobre o festival não obtiveram resposta efetiva, culminando no encontro frustrado com o Secretário Caio André, que alegou desconhecimento dos pedidos formais apresentados pela Aratrama ao longo do ano, conforme noticiado pela A Crítica (https://www.acritica.com/geral/so-nos-resta-a-denuncia-criminal-sacerdote-denuncia-falta-de-apoio-a-festival-de-yemanja-1.392115). A alegação central é que, enquanto eventos com viés religioso diferente recebem suporte total, a tradição afro-amazônica é sistematicamente ignorada pelos órgãos públicos competentes.
Em contraponto, tanto o Governo do Estado quanto a Prefeitura negam veementemente qualquer prática discriminatória. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa (SEC) justificou a ausência de novos aportes financeiros pelo encerramento do exercício orçamentário de 2025, conforme decreto estadual, embora tenha ressaltado apoio prévio a outras iniciativas afro-brasileiras como o Balaio de Oxum. A Manauscult, por sua vez, afirmou que o Festival de Yemanjá está contemplado na agenda cultural de fim de ano e que todas as ações são conduzidas sob critérios técnicos e orçamentários estritos, rechaçando qualquer associação da gestão municipal com intolerância religiosa. Contudo, a advogada Alessandrine Silva, que acompanha o caso, sustenta que a omissão configura racismo institucional, violando os princípios constitucionais da laicidade e da igualdade ao privilegiar eventos cristãos, um cenário que exige responsabilização do Estado perante instâncias federais e ministeriais, como o Ministério da Igualdade Racial, solidificando a base para a ação criminal anunciada (https://www.acritica.com/geral/so-nos-resta-a-denuncia-criminal-sacerdote-denuncia-falta-de-apoio-a-festival-de-yemanja-1.392115).
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