Exportadoras de soja ameaçam abandonar pacto de proteção da Amazônia devido a cortes fiscais em Mato Grosso
Empresas exportadoras de soja avaliam deixar a Moratória da Soja a partir de janeiro, em retaliação à decisão do estado de Mato Grosso de remover incentivos fiscais para as empresas que aderem ao pacto ambiental.
Tucupi

Destaque
Uma potencial alteração na estrutura de incentivos fiscais promovida pelo estado de Mato Grosso pode levar a um revés significativo nos esforços de conservação na Amazônia Legal. Grandes empresas envolvidas na exportação de soja estão ponderando a possibilidade de abandonar a Moratória da Soja, um compromisso voluntário fundamental que visa garantir que a soja comercializada não seja originária de áreas desmatadas ilegalmente após 2008 na região amazônica. A pressão advém diretamente da política estadual, que, a partir de janeiro, pretende suspender os benefícios tributários concedidos às companhias que mantêm sua adesão ao referido pacto ambiental, criando um claro conflito de interesses econômicos e ambientais para o setor produtivo.
Este cenário impõe um dilema estratégico às exportadoras, que precisam equilibrar a manutenção de uma imagem de sustentabilidade exigida pelo mercado internacional e os incentivos financeiros oferecidos pelo principal estado produtor de soja do país. A Moratória da Soja tem sido reconhecida globalmente como uma ferramenta eficaz para mitigar o impacto do agronegócio sobre a floresta. Se um número considerável de exportadoras optar por se desvincular do acordo devido à mudança na legislação fiscal de Mato Grosso, os mecanismos de controle do desmatamento na Amazônia poderão ser enfraquecidos, gerando preocupações imediatas sobre o futuro da preservação da biodiversidade e do clima regional.
A discussão transcende as fronteiras de Mato Grosso, dado que a cadeia produtiva da soja brasileira é altamente interligada e afeta diretamente estados limítrofes e vitais para a logística amazônica, como o Amazonas. A capacidade de rastrear a origem da soja e garantir sua conformidade ambiental é crucial para manter a credibilidade do agronegócio nacional perante compradores internacionais, que cada vez mais demandam produtos livres de desmatamento. A retirada do apoio fiscal pode ser interpretada como um sinal de despriorização das metas ambientais em favor de vantagens fiscais de curto prazo, o que exige uma resposta articulada das esferas de governança ambiental, incluindo aquelas atuantes na região Norte.
As implicações dessa tensão entre a política fiscal estadual e as diretrizes de sustentabilidade são amplas, afetando o equilíbrio ecológico e econômico da Amazônia. É fundamental que haja um diálogo entre o governo de Mato Grosso e os setores ambientais e exportadores para evitar um retrocesso nas conquistas de conservação alcançadas pela Moratória da Soja. A situação, que coloca em xeque a cooperação entre o setor privado e as metas climáticas, foi noticiada pela fonte (https://g1.globo.com/economia/agronegocios/).
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