Comerciantes em Pacaraima (RR) relatam queda drástica no movimento após instabilidade política na Venezuela

Comerciantes em Pacaraima (RR), na fronteira com a Venezuela, relataram uma queda acentuada no movimento de clientes e um clima de apreensão um dia após um ataque militar dos EUA e a subsequente captura de Nicolás Maduro. A economia local, altamente dependente do fluxo de compradores venezuelanos, foi diretamente afetada pelo fechamento temporário da fronteira e pelo medo dos clientes em cruzar o limite em meio à instabilidade política.

Tucupi

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Comerciantes em Pacaraima (RR) relatam queda drástica no movimento após instabilidade política na Venezuela
camera_altFoto: globo
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Um dia após a escalada de tensões internacionais envolvendo um ataque militar dos Estados Unidos contra a Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, comerciantes de Pacaraima, município de Roraima que faz fronteira com o país vizinho, manifestaram uma redução significativa no fluxo de clientes e uma atmosfera de apreensão no comércio local. Os lojistas, tanto brasileiros quanto imigrantes, observaram que, embora a rotina no domingo (4) tenha permanecido "calma" em termos de segurança imediata, o movimento de pessoas e o volume de negócios despencaram em comparação com um domingo normal. Este cenário é atribuído diretamente às repercussões políticas e militares ocorridas no sábado, que geraram incerteza e fizeram com que muitos venezuelanos, principais consumidores da cidade, hesitassem em cruzar a fronteira reaberta, mesmo com a normalização aparente da situação de segurança. Grande parte da sustentabilidade econômica de Pacaraima é intrinsecamente ligada ao fluxo migratório e de compras oriundo da Venezuela, especialmente de cidades como Santa Elena, de onde muitos cidadãos cruzam para acessar serviços e bens no Brasil. Comerciantes relataram que a queda foi drástica, beirando "quase zero" em alguns estabelecimentos, com a gerente de um supermercado destacando a dificuldade de atingir metas de vendas devido à ausência dos clientes vizinhos. O fechamento temporário da fronteira durante o pico da crise, mesmo tendo sido reaberta na tarde do dia anterior, deixou um rastro de receio entre a população venezuelana, que se mostrou mais relutante em se deslocar, citando dificuldades de transporte e o temor da instabilidade política contínua. Este episódio sublinha a profunda vulnerabilidade da economia fronteiriça brasileira a choques geopolíticos ocorridos no país vizinho, evidenciando a interdependência das regiões. Os relatos dos trabalhadores refletem uma dualidade de sentimentos: por um lado, a preocupação imediata com as contas fixas e as despesas de início de ano, e por outro, uma esperança cautelosa de que a situação se normalize rapidamente para reativar o comércio. Enquanto alguns moradores venezuelanos que se estabeleceram em Pacaraima expressaram seu desejo por mudanças positivas em seu país de origem, afirmaram não ter planos de regressar no momento, evidenciando o impacto duradouro da crise venezuelana na demografia e economia local. A notícia ilustra como eventos de grande magnitude na política externa podem ter consequências econômicas diretas e imediatas nas cidades de fronteira do Norte do Brasil, exigindo monitoramento constante das autoridades locais sobre a estabilidade da região amazônica fronteiriça e o bem-estar dos trabalhadores que dependem deste fluxo transfronteiriço. (Fonte: g1/RR, https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2026/01/04/comerciantes-na-fronteira-com-a-venezuela-relatam-queda-no-movimento-um-dia-apos-ataque-dos-eua-e-captura-de-maduro.ghtml)

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