Motos se Tornam Veículo Dominante em 16 Estados Brasileiros, Impulsionadas pela Economia Autônoma
As motocicletas se consolidaram como o veículo mais popular em 16 estados brasileiros, abrangendo toda a Região Norte, devido ao crescimento do trabalho autônomo e dos serviços de entrega. Este fenômeno, embora ofereça autonomia e mobilidade eficiente, acarreta um aumento preocupante no número de acidentes fatais nas áreas urbanas. Especialistas e autoridades destacam a necessidade urgente de adaptação da infraestrutura e de políticas de segurança pública para gerenciar a nova realidade da mobilidade nacional.
Tucupi

Destaque
As motocicletas consolidaram-se como a modalidade de transporte dominante em um número expressivo de unidades federativas no Brasil, atingindo o status de veículo mais emplacado em 16 estados. Esta ascensão não é um fenômeno isolado, mas reflete uma profunda mudança estrutural no comportamento de mobilidade da população, fortemente catalisada por transformações econômicas recentes. A predominância das motos abrange integralmente a Região Norte, além de grande parte do Nordeste e o estado do Mato Grosso, indicando que a necessidade de transporte acessível e ágil supera a preferência por automóveis em regiões onde a infraestrutura viária ou o poder aquisitivo favorecem veículos de menor custo operacional. A pesquisa aponta que o perfil do novo motociclista é majoritariamente o trabalhador autônomo, seja ele entregador, mecânico ou prestador de serviços, para quem a motocicleta não é apenas um meio de transporte, mas sim a ferramenta essencial que sustenta a produtividade e a subsistência familiar em um mercado de trabalho cada vez mais fragmentado e dependente de serviços de entrega rápidos.
Em metrópoles, como São Paulo, a moto é vista como um diferencial competitivo, permitindo que profissionais superem o congestionamento crônico e maximizem o número de atendimentos diários, o que se traduz diretamente em maior faturamento. O investimento, muitas vezes parcelado, oferece um retorno rápido para quem depende da locomoção para gerar renda. Contudo, essa popularização galopante da motocicleta vem acompanhada de sérias preocupações de segurança pública e de trânsito. Em estados como São Paulo, os números de fatalidades em acidentes envolvendo motos atingiram recordes preocupantes no primeiro semestre de 2025, expondo a vulnerabilidade desses usuários no tráfego urbano. Projetos como a faixa azul para motocicletas nas vias da capital paulista demonstram esforços pontuais para mitigar riscos, mas especialistas alertam que medidas paliativas são insuficientes diante da magnitude do problema, exigindo uma revisão completa das normas de convivência no trânsito.
O debate se desloca, portanto, para a urgente necessidade de adaptação das políticas públicas e da infraestrutura urbana para comportar o aumento exponencial da frota de duas rodas. A velocidade e a imprudência são citadas como fatores cruciais nos sinistros mais graves, exigindo campanhas de conscientização robustas e fiscalização efetiva, além de melhorias no desenho das vias. No entanto, para os usuários entrevistados, como os entregadores autônomos, a perspectiva é de permanência nesse modelo de trabalho e locomoção, visto como uma conquista de autonomia face a rotinas de trabalho mais rígidas e custos elevados do automóvel. Segundo analistas, embora o ritmo de crescimento possa se estabilizar, a motocicleta já se enraizou como um pilar incontestável da mobilidade brasileira, e as cidades do Norte e Nordeste, onde já é maioria, servem de prenúncio para o futuro das grandes aglomerações urbanas no país, demandando planejamento de longo prazo para equilibrar eficiência logística e segurança viária, conforme noticiado pelo Jornal Nacional em sua edição de 24 de dezembro de 2025 (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/24/com-vendas-em-alta-no-brasil-as-motos-ja-sao-os-veiculos-mais-populares-em-16-estados.ghtml).
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