Manaus dobra cobertura de esgoto, mas desafios de ligação residencial e tecnologia na Amazônia persistem

Manaus alcançou 40% de cobertura de esgotamento sanitário, um aumento significativo desde 2018 (19%), impulsionado por mais de R$ 1,6 bilhão em investimentos através do programa "Trata Bem Manaus". Especialistas destacam a necessidade urgente de soluções tecnológicas descentralizadas e adaptadas à logística amazônica para atingir a meta de universalização em 2033. Além disso, o monitoramento da rede utiliza Inteligência Artificial, mas o principal gargalo atual reside na baixa adesão dos moradores à ligação final da rede instalada.

Tucupi

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Manaus dobra cobertura de esgoto, mas desafios de ligação residencial e tecnologia na Amazônia persistem
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A capital amazonense, Manaus, registrou um avanço notável na infraestrutura de saneamento básico, encerrando o ano com 40% de cobertura de esgotamento sanitário, conforme dados atualizados recentemente. Este índice representa um salto expressivo, considerando que em 2018 a cobertura era de meros 19%. O crescimento é creditado a um investimento robusto, que ultrapassou a marca de R$ 1,6 bilhão, consolidando Manaus como líder em investimentos no setor entre as capitais da Região Norte. As obras, impulsionadas pelo programa "Trata Bem Manaus" e a recente inauguração de partes da Estação de Tratamento de Esgoto da Raiz, visam mitigar um histórico de exclusão social e problemas de saúde pública inerentes à falta de infraestrutura adequada, especialmente em áreas vulneráveis da cidade, marcando uma mudança significativa na gestão urbana. Entretanto, especialistas alertam que a meta de universalização do saneamento até 2033 impõe desafios logísticos e tecnológicos particulares à metrópole inserida na floresta. O presidente do Lactec, Maximiliano Orfali, enfatizou a necessidade de soluções customizadas para a região, que devem operar com baixa manutenção e depender de energia local e renovável, como painéis solares, devido à complexidade do território e às flutuações hidrológicas. A descentralização dos sistemas de tratamento é vista como um caminho inevitável para atingir as comunidades mais isoladas, que não se beneficiam da infraestrutura centralizada. Rafael Belisário, gerente de projetos em soluções urbanas, reforçou que o saneamento é um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável e um poderoso motor de transformação social, retirando populações vulneráveis de um ciclo vicioso de doenças de veiculação hídrica. A aplicação de tecnologia de ponta já é uma realidade em Manaus para otimizar a gestão da rede hídrica. O Centro de Controle Operacional (CCO) no bairro Aleixo utiliza Inteligência Artificial (IA) para monitorar a rede de abastecimento 24 horas por dia, prevendo anomalias de pressão e consumo, permitindo ações preventivas remotas antes que os consumidores sintam a falta de água. Embora essa capacidade preditiva e a simulação de cenários através de "gêmeos digitais" apontem para uma gestão mais resiliente da água, o artigo sublinha que o avanço físico da rede não é suficiente para concluir o ciclo. O maior obstáculo operacional restante é a adesão popular: o ciclo do saneamento só se completa quando o morador realiza a ligação intradomiciliar da rede instalada, uma questão de responsabilidade individual que, se ignorada, inutiliza grande parte dos investimentos em infraestrutura urbana realizados pela prefeitura, conforme noticiado por A Crítica ({url}).

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