Desmatamento e calor na Amazônia elevam risco de duas novas epidemias por década, alertam cientistas
Pesquisadores alertam que a combinação do desmatamento e do aumento das temperaturas na Amazônia pode elevar o risco de surgimento de até duas novas epidemias a cada década. O monitoramento viral está sendo intensificado em áreas de risco no Pará, onde cientistas coletam amostras de animais, como morcegos e gambás, para identificar vírus desconhecidos ou perigosos. Estudos no Instituto Evandro Chagas revelam que muitos vírus amazônicos já identificados possuem potencial para infectar humanos, e o aquecimento global acelera a reprodução de mosquitos vetores, aumentando a disseminação de doenças.
Tucupi

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Cientistas que atuam na Amazônia estão emitindo um alerta grave sobre a crescente ameaça de novas epidemias, estimando que a combinação do avanço do desmatamento com o aumento das temperaturas regionais pode desencadear até dois novos surtos infecciosos por década. A vigilância sanitária e epidemiológica tem sido intensificada em regiões críticas, como o Pará, onde equipes de pesquisadores se aventuram na floresta para capturar vetores e hospedeiros animais. Em campo, armadilhas são montadas para coletar amostras de diversas espécies, incluindo morcegos frutívoros e pequenos mamíferos amazônicos, como a mucura, utilizando procedimentos rigorosos para garantir a segurança dos envolvidos e o bem-estar dos animais, que são liberados após a coleta de sangue. Este esforço de campo visa mapear o reservatório viral em um ambiente sob forte estresse ecológico, o que potencializa o 'spillover' — o salto de vírus de animais para humanos.
O material biológico coletado é transportado para laboratórios de alta segurança, como o do Instituto Evandro Chagas (IEC), onde a análise se torna crucial para a saúde pública global. Dentro de instalações classificadas como Nível 3 de biossegurança, os cientistas trabalham com a identificação e isolamento de patógenos. O monitoramento constante é fundamental, pois já foram identificados 115 vírus nativos da Amazônia desconhecidos pela ciência até então. Destes, um número alarmante — 36 — demonstrou capacidade de infectar células humanas, o que coloca a região na linha de frente da prevenção de futuras pandemias, um risco potencial armazenado em ultracongeladores a 80 graus negativos. A capacidade de resposta rápida depende da contínua catalogação dessas ameaças invisíveis que circulam na fauna silvestre.
O agravamento do cenário ambiental é apontado como um catalisador direto para o aumento do risco viral. A mudança climática, expressa pelo aquecimento, favorece a proliferação acelerada de mosquitos vetores, que não apenas aumentam em número, mas também carregam uma carga viral mais elevada. Essa dinâmica eleva significativamente a probabilidade de transmissão dessas doenças zoonóticas para as populações humanas e outros vertebrados suscetíveis, exigindo um esforço coordenado de políticas públicas ambientais e de saúde. O estudo sublinha a importância de compreender as interações complexas entre vírus, hospedeiros silvestres e o ambiente modificado pelo homem, como forma de antecipar e mitigar o surgimento de emergências sanitárias de grande escala. O monitoramento em tempo real desses ecossistemas é visto como uma estratégia indispensável para a segurança sanitária do Brasil, conforme detalhado pelo Jornal Nacional (https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/20/amazonia-aumento-do-desmatamento-e-do-calor-pode-gerar-novas-epidemias.ghtml).
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