Hapvida, em Profunda Crise, Troca CEO e Vice Renuncia em Meio a Escândalos e Desempenho Financeiro Fraco

A operadora de saúde Hapvida, que enfrenta um processo no STF por descumprimento de contrato no interior do Amazonas e forte escrutínio regulatório, anunciou uma mudança na alta cúpula. O CEO Jorge Pinheiro foi substituído pelo CFO Luccas Augusto Adib, enquanto o vice-presidente Alain Benvenuti renunciou citando preocupações legais e estatutárias. A transição ocorre em meio a uma queda acentuada no valor das ações da empresa e sua importância crítica para o fornecimento de serviços a servidores públicos e trabalhadores da Zona Franca de Manaus.

Tucupi

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Hapvida, em Profunda Crise, Troca CEO e Vice Renuncia em Meio a Escândalos e Desempenho Financeiro Fraco
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Destaque
A operadora de planos de saúde Hapvida, atualmente imersa em uma profunda crise financeira e sob o escrutínio do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a alegações de descumprimento contratual no interior do Amazonas, formalizou uma significativa alteração em sua estrutura de liderança. A turbulência institucional culminou na destituição do médico Jorge Pinheiro, filho do fundador, do cargo de CEO, conforme notificado ao mercado na última segunda-feira, 22 de dezembro. Embora a transição de poder tenha sido anunciada, a empresa optou por não detalhar a data exata em que a mudança na presidência executiva será efetivada. Este movimento gerencial ocorre em um momento particularmente sensível para a companhia, que possui contratos vitais com servidores municipais, estaduais e um grande contingente de trabalhadores da Zona Franca de Manaus. O mercado já penalizou a empresa, registrando uma queda expressiva de 56,8% no valor de suas ações ao longo de 2025, um reflexo direto de resultados operacionais abaixo das expectativas e dos desafios persistentes na integração após a fusão com a Intermédica. Para assumir a liderança executiva, o Conselho de Administração designou Luccas Augusto Adib, o até então diretor financeiro da operadora. A nomeação de Adib, contudo, foi recebida com cautela pelos investidores, que antecipavam uma indicação diferente para o comando. O movimento mais surpreendente foi a recusa de Alain Benvenuti, o vice-presidente do grupo, em aceitar a posição de CEO e sua subsequente renúncia ao cargo de vice-presidente. Relatos de bastidores sugerem que a decisão de Benvenuti foi motivada por receios relacionados ao seu estatuto legal dentro da empresa. Essa condição estatutária o deixaria pessoalmente exposto a responsabilidades legais decorrentes de eventuais dívidas ou falhas corporativas, levando-o a se afastar da linha de frente decisória em meio à instabilidade. Para cobrir a vacância na vice-presidência, Benvenuti será sucedido por uma executiva interna, enquanto Adib assume a presidência com o mandato claro de estancar a desvalorização da companhia. A crise de gestão da Hapvida é acompanhada com grande preocupação na esfera pública e econômica do Amazonas, dada a extensão da base de clientes na região e o histórico de investigações administrativas e judiciais. A empresa já foi alvo de inquéritos do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) relacionados a supostas irregularidades em licitações, como um contrato de R$ 45,7 milhões para a prestação de serviços médicos. Além disso, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem intensificado sua fiscalização, exigindo a republicação de balanços e revisando documentos referentes a períodos passados, fatos estes que ganharam ampla visibilidade na imprensa local por meio de reportagens anteriores do próprio BNC Amazonas. A saída do vice-presidente por motivos legais estatutários e a substituição do CEO demonstram que as pressões regulatórias e financeiras sobre a Hapvida atingiram um patamar insustentável. O desenrolar dessa reestruturação de alto nível na Hapvida — uma das maiores operadoras de saúde do país e peça central no fornecimento de serviços para o Amazonas — continuará sob o rigoroso monitoramento de órgãos reguladores, acionistas e, crucialmente, da vasta base de consumidores locais. A entrada de um novo CEO em um cenário de desconfiança do mercado, somada à renúncia de um executivo por temores de responsabilidade pessoal, indica que a empresa enfrentará um período de intensa vigilância para tentar restaurar sua estabilidade e cumprir suas obrigações contratuais com os beneficiários amazonenses.

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